terça, 07 de setembro de 2010

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Dentição das Serpentes Imprimir
Segurança do Trabalho - Animais Peçonhentos

Dentição das Serpentes


As serpentes apresentam em média 800 ossos em todo seu corpo. Só o crânio é formado por 43. Nesse artigo falarei sobre as diferentes dentições encontradas nas serpentes peçonhentas e não-peçonhentas e como funciona a inoculação de veneno através dos canais inoculadores, presente em serpentes peçonhentas. Quais sinais presentes na mordida das serpentes e algumas espécies pertencentes a cada grupo de dentição.

 


Para que as serpentes peçonhentas consigam inocular (injetar) seu veneno, elas precisam ter dentes desenvolvidos para essa função. Canais inoculadores por onde o veneno passará ao sair da glândula de veneno até ser expelido ou injetado. Dentre as peçonhentas, encontramos dois tipos de dentição com esse objetivo.


As não peçonhentas, por não possuírem glândula de veneno e canal inoculador, utilizam outros mecanismo de defesa e ataque, como se enrolar ao corpo da vitima até estrangula-la. Porem mesmo assim, existem diferenças entre a dentição das não-peçonhentas.
Algumas vezes, podemos identificar qual foi a cobra responsável pelo acidente, através das marcas da mordida no ferimento.

Não é apenas através da mordida que se identifica o gênero ou espécie da cobra causadora do acidente e sim através de um conjunto de dados, como sinais e sintomas, região onde ocorreu o acidente e etc.

Veremos agora os 4 tipos de diferentes dentições de serpentes peçonhentas e não peçonhentas.

 

 

Solenóglifas (soleno = canal, glyphé = sulco) - Possuem presas anteriores ocas dotadas de um canal central por onde passa o veneno, semelhante a agulhas de injeção. Estando em um maxilar bem móvel, permitindo ao dente anterior deslocar-se para frente quando a serpente abre a boca. Este dente é retraído quando a serpente volta à sua posição normal.
As serpentes deste grupo são aquelas cujo veneno, evolutivamente, tornou-se mais potente daí o desenvolvimento de seu mecanismo de inoculação.
As serpentes solenóglifas dão um bote certeiro na presa, inoculam o veneno e esperam que esta morra; mesmo se a "vítima" conseguir se locomover, a serpente a localiza com auxílio de suas "fossetas loreais". Ao localizar a presa, começa a engoli-la, geralmente pela cabeça.
Possuem esse tipo de dentição, no Brasil, as serpentes do gênero Bothrops (Jararacas, Urutus, Cotiaras e outras), do gênero Crotalus (Cascavéis, Maracabóias, Boiciningas) e do gênero Lachesis (Surucucus, Surucucus-Pico-de-Jaca).

 

 

 

 

 

Proteróglifas (protero = dianteiro, glyphé = sulco) - Possuem presas anteriores sulcadas, como agulhas de injeção, em maxilares imóveis. Os dentes sulcados são maiores e curvados, o que os diferencia dos dentes maciços. Elas na verdade mordem e permanecem pressionando fortemente os maxilares para que o veneno flua e seja injetado. No Brasil as serpentes que possuem essa dentição são do gênero Micrurus (Corais).

 

 

Opistóglifas (opisthos = atrás, glyphé = sulco) - Tipo de dentição, presente em serpentes não-peçonhentas, cujos dentes são totalmente maciços, possuindo ao fundo da boca dentes maiores que possuem uma ligação não com a glândula de veneno e sim com "Glândula de Duvernoi" e sua função é secretar uma solução enzimática (semelhante a saliva) para auxiliar a digestão. No Brasil podemos encontrar essa dentição nas Falsas Corais, Cobras Verdes, Cobras Cipós e outras.

 

 

Áglifa (a = ausência + glyphé = sulco) - Não possuem presas. São dentes pequenos e maciços. Típico de serpentes não peçonhentas, pois não possuem canais inoculadores de veneno. Podemos encontrar no Brasil essa dentição presente nas Jibóias, Caninanas, Sucuris, Pítons entre outras.

 

 

Lembrando que critério da identificação pela dentição não deve ser utilizado em virtude da necessidade de manipulação da serpente, o que implica em sérios riscos de acidentes para os leigos. As características relativas à presença de fosseta loreal, tipo de cauda e distribuição geográfica em conjunto podem definir, com elevado grau de precisão, o tipo de serpente a uma distância segura.

 

 

 


Prof. Leonardo Galvão
Diretor de Pesquisas e Publicações

 

Curso Animais Peçonhentos

 
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