terça, 07 de setembro de 2010

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Segurança do Trabalho - Saúde do Trabalho Rural

Leptospirose no Meio Rural

 

Problema muito freqüente nos centros urbanos, principalmente na época de enchentes, a leptospirose também se faz presente no meio rural, e pode contaminar através da pele, os que entram em contato com locais onde haja urina de algum animal vetor da doença, ou ingerir água e alimentos contaminados.

 

 

A leptospirose, também conhecida como Mal de Weil, ou Síndrome de Weil,  é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose que que ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Nos humanos, pode ocorrer em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos, sendo que na maioria (90%) dos casos, a evolução é benigna.

 

Considerado o principal transmissor da doença, os roedores domésticos mais comuns, que levam a leptospirose ao homem, são o rato de telhado (ou de forro, o rattus rattus), a ratazana (aquela de praia ou de esgoto) e o camundongo (o mus musculus).

 

A leptospirose acomete também outros mamíferos e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos como cães e gatos, e animais de importância econômica como bois, cavalos, porcos, cabras e ovelhas.
Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interriogans junto com a urina.

 

A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive ao solo úmido ou na água, que tenha pH neutro ou alcalino.
Penetra através da pele e de mucosas (olhos, boca, nariz) ou através de ingestão de água e alimentos contaminados.

 

Nos centros urbanos, a maioria das infecções ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos.

 

No campo, muitos trabalhadores que entram em contato com lama, lavradores de arroz, tratadores de animais, acabam sendo contaminados por não estarem usando a proteção adequada.

 

Sintomas

 

A leptospirose tem inicio súbito, com sintomas bem parecidos com os da gripe, sendo até mesmo confundida com febre amarela, dengue e hepatite.

Os sintomas mais comuns são:

- Dor de cabeça;
- Dor muscular;
- Febre alta;
- Mal-estar.

Um sintoma capaz de diferenciar a leptospirose de outras doenças é a forte dor na panturrilha (batata da perna), sendo que muitas vezes o doente não agüenta ficar em pé.

Os sintomas podem levar até 30 dias depois do contagio para se manifestarem e, normalmente, depois de curada, a doença não deixa seqüelas.

 


Prevenção

 

Por serem os maiores transmissores da doença, evitar a presença de ratos é uma das melhores maneiras de se prevenir a leptospirose.


Evita-se ratos

 

- Mantendo sempre limpos os locais de trabalho, currais, paióis, e locais onde possam acumular grãos e restos de alimentos, que atraem estes roedores;
- Não jogar lixo ou restos de alimentos à beira de rios e córregos, pois além de atrair os roedores, dificulta o escoamento das águas, aumentando o risco de enchentes;
- Manter os terrenos sempre com gramado e mato aparados, bem como evitar acumulo de entulho e lixo, pois podem são condições favoráveis de abrigo para ratos;
- Lavar sempre bebedouros e vasilhames que contenham alimentos para os animais, evitando que estes sejam infectados;
- Acondicionar sempre o lixo em sacos plásticos em locais elevados do solo, colocando-o para coleta pouco antes dos coletores de lixo passarem;
- Fechar buracos de telhas, paredes e rodapés, manter ralos, vasos sanitários e caixas d'água sempre bem tampados;
- Plantar Alecrim e Hortelã pela propriedade, ajuda a afastar ratos, pois estes são incomodados pelo cheiros destas plantas.

 

Proteção

 

Aos trabalhadores rurais, seguem as medidas mais eficazes de prevenir o contagio da doença:

 

- Usar luvas e botas de borracha sempre que realizar serviços em locais enlameados, alagados, úmidos ou com presença de excretas de animais;
- Evitar o contato com água de enchente ou córregos onde haja suspeita de presença de roedores;
- Não andar descalço pela propriedade, sempre executar o serviço devidamente calçado;
- Não ingerir alimentos que não estejam devidamente higienizados;
- Não ingerir água de fontes seguras e livres de contaminação;
- Caso haja a necessidade de entrar em locais alagados, e com risco de contaminação, deve-se usar roupas impermeáveis e permanecer o menor tempo possível neste local;
- Evitar lavar ferimentos em águas sujas ou córregos onde haja presença de ratos.

 


A prevenção ao contato com a urina de rato, e boas condições de higiene, são as melhores medidas para se evitar a leptospirose.

 

 


Prof. Leonardo Galvão
Diretor de Pesquisas e Publicações

 
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